O “Mapa da Logística 2025”, lançado pela Loggi, revela uma transformação silenciosa, porém profunda, na malha logística brasileira e no comportamento de consumo digital. Com base na análise de mais de 16 milhões de pacotes entregues em todo o território nacional entre abril e junho de 2025, o estudo mostra como as pequenas e médias empresas (PMEs) vêm liderando a descentralização do e-commerce, provocando impactos diretos na demanda logística, na geografia das entregas e na relação entre varejo digital e logística de última milha.
A consolidação das PMEs como motor do e-commerce nacional
Segundo o estudo, 82% das encomendas analisadas no trimestre partiram de PMEs, que vêm ganhando relevância frente a grandes marcas e marketplaces. Além do volume, chama atenção a qualidade das vendas realizadas por PMEs, que registraram valor médio por pedido 21% maior que grandes marcas e 51% superior ao de marketplaces. Esse dado demonstra não apenas a maturidade digital das PMEs, mas também a fidelização e o foco em nichos mais rentáveis.
Outro aspecto revelador é a adesão ao modelo logístico baseado em coleta, adotado por 70% das PMEs, ante 56% de grandes empresas e apenas 37% dos marketplaces. Isso mostra uma maior autonomia logística e capacidade de adaptação das pequenas e médias empresas, que passam a operar de forma mais direta com os operadores logísticos, ao invés de depender exclusivamente de hubs ou lockers.
Mudança na geografia das entregas
O estudo evidencia uma clara descentralização da logística no Brasil. Regiões antes tidas como secundárias estão ganhando relevância. No segundo trimestre de 2025, os estados com maior crescimento no número de entregas foram Goiás, Espírito Santo, Santa Catarina e Maranhão, com destaque para o Sul do país, que ultrapassou o Sudeste em volume per capita de entregas.
Além disso, 72% dos municípios brasileiros receberam pelo menos uma entrega no período, uma cobertura expressiva que demonstra a ampliação do alcance da logística de e-commerce. Isso exige das empresas logísticas uma atuação mais capilarizada, com inteligência de roteirização e agilidade na operação, já que a concentração urbana das entregas está sendo gradualmente diluída.
Crescimento expressivo em categorias diversas
O levantamento também apontou quais segmentos do varejo digital mais cresceram no período. Entre as categorias com maior expansão no volume de envios estão:
- Ótica (+302%)
- Farma e saúde (+204%)
- Artigos esportivos (+196%)
- Joias e bijuterias (+144%)
- Moda e vestuário (+103%)
Esse crescimento diversificado indica uma maior digitalização de categorias que tradicionalmente dependiam do contato físico com o consumidor e reforça o papel da logística como elemento estratégico para a competitividade de empresas de diferentes setores.
Datas comemorativas como impulsionadoras de demanda
O estudo também mostra o impacto direto de datas sazonais na dinâmica logística. No Dia das Mães, foram registrados 2,7 milhões de pacotes entregues, um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já no Dia dos Namorados, o destaque ficou para as PMEs, que cresceram 121% em volume de entregas, contra apenas 6% de crescimento por parte das grandes marcas.
Esses dados evidenciam que as PMEs vêm ganhando terreno mesmo em datas tradicionalmente dominadas por grandes varejistas, o que mostra um amadurecimento digital e uma competitividade mais acirrada entre diferentes perfis de empresas.
Implicações logísticas para o futuro do e-commerce brasileiro
O Mapa da Logística 2025 deixa claro que o futuro do e-commerce brasileiro será cada vez mais descentralizado, pulverizado e orientado por dados. Empresas logísticas precisarão se adaptar a um cenário em que o centro da demanda está se deslocando para além dos grandes centros urbanos, exigindo tecnologia, inteligência geográfica, integração com marketplaces menores e capacidade de escala flexível.
Operações logísticas que antes estavam focadas em atender grandes centros e grandes volumes agora terão que se preparar para atender milhares de PMEs com alto nível de exigência e dispersão geográfica, com entregas que vão do centro urbano ao interior do Brasil.
Além disso, será fundamental para o setor logístico aprofundar a análise de dados, automação de processos, e a construção de ecossistemas colaborativos que permitam maior previsibilidade, menor custo e uma experiência superior para o consumidor final, que está cada vez mais exigente e diversificado.
Considerações finais
A transformação revelada pelo Mapa da Logística 2025 aponta para um novo paradigma. O crescimento das PMEs no e-commerce e a interiorização da logística não são movimentos passageiros, mas sim tendências estruturais que exigem reposicionamento de toda a cadeia logística.
Essa nova realidade abre oportunidades imensas para tecnologias de última milha, plataformas de gestão de entregas, copilotos logísticos inteligentes e soluções integradas que atendam às demandas de personalização, visibilidade e velocidade que esse novo mercado exige.
Empresas que conseguirem se posicionar como parceiras estratégicas das PMEs, com soluções tecnológicas acessíveis e operacionais adaptáveis, estarão à frente nessa nova fase da logística nacional.

